A cama na varanda por Regina Navarro Lins | Momento Beaute
20 nov
2012

A cama na varanda por Regina Navarro Lins

A descrição “um dos maiores sucessos editoriais dos anos 90, A cama na varanda é daqueles livros que o tempo decanta. É assim porque sua base é a insatisfação que predomina nos relacionamentos amorosos e sexuais.

A necessidade de relançar uma obra como esta comprova o quanto ela está afinada com a vida no Ocidente de hoje. Após exatos dez anos desde a primeira publicação, à nova edição deste clássico contemporâneo foi acrescida uma quinta parte intitulada ‘o futuro que se anuncia’… São raras as obras que levam o leitor à reflexão, oferecendo ainda história e crítica de costumes. Este livro é uma delas.

Regina Navarro é psicanalista e escritora, autora de onze livros sobre relacionamento amoroso e a primeira vez que ouvi falar sobre o trabalho dela, foi ha quase dois anos em uma entrevista na Ana Maria Braga (prazeres do home office … haha). Achei interessante as informações que ouvi nesta entrevista e desde então, a sigo no twitter.

Na última temporada do programa Amor & Sexo da Rede Globo, Regina participou como convidada e achei incrível! Depois de enrolar por quase dois anos, finalmente resolvi ler o livro “A cama na Varanda” e vim contar pra vocês o que achei.

O livro começa abordando todas as formas de relacionamento de um casal, incluindo a maneira como a sociedade manipulava ou influenciava a vida a dois, assim como a família, desde o início de nossa existência e vai abordando até os dias de hoje. Confesso que achei graça ao ler muitas das informações sobre passados distantes, mas também me choquei com muitas outras.

Gosto da maneira de pensar da escritora e até concordo com muita coisa. Claro que concordar é uma coisa e colocar em prática é outra, mas acredito que daqui 50 ou 60 anos, tudo o que li neste livro será algo normal, natural. Em um trecho diz “…no início do século XX, por exemplo, os maiôs cobriam as pernas. Foram diminuindo até chegar as duas peças, uma ousadia no início da década de 1960. Hoje, a tanga ou o fio dental passam despercebidos. Da mesma forma, o namoro foi evoluindo. Da troca de olhares na sala de casa e na presença da tia carrancuda aos bailes na companhia de adulto ou ao cinema à tarde nos anos 50.

Lendo isso não há como não concordar que nós evoluímos de forma natural e claro que quem é mais evoluído e consegue enxergar mais a frente, sofre mais pelos preconceitos.

O novo nos assusta, nos faz sentir desprotegidos, por isso nos vinculamos ao já conhecido. Estamos acostumados a usar, no presente, modelos do passado.

E olha que interessante, durante muito tempo os homens ‘endeusavam’ as mulheres e acreditavam que os filhos eram milagres divinos. Os homens não sabiam que tinham participação na procriação e só foram descobrir isso quando abandonaram a caça e começaram a participar das atividades que antes eram femininas, desbravando terra. A partir disso domesticaram animais e através da convivência perceberam que as fêmeas davam a luz a filhotes sempre depois de um determinado tempo de que cruzavam com um macho.

Detalhe que a reação dos homens foi de ira, como se tivessem sido enganados por tanto tempo. Ok, pode gargalhar… hahaha a partir disso, a mulher deixou de ser vista com bons olhos, como antes e os homens ficaram se achando, a ponto de acreditarem que o pênis era sagrado e representava Deus por possuir o sêmen divino.

No livro Regina aborda bastante a questão do amor romântico e de onde veio essa cultura. Aponta casos reais, de seu consultório, mostrando como as pessoas sofrem por não saberem lidar com essa crença. O tal do mito de que se você não encontra a sua metade, alguém a quem você ame muito, que te ame muito também para passarem o resto da vida juntos, você está fadado a uma vida triste.

Estamos presos à crença de que o amor romântico é o amor verdadeiro. Isso gera muita infelicidade e frustração na vida das pessoas, impedindo-as de experimentar uma relação amorosa autêntica. Quando ocorre o desencanto, isto é, quando percebemos que o outro é um ser humano e não a personificação de nossas fantasias, nos ressentimos e reagimos como se tivesse ocorrido uma desgraça. Geralmente culpamos o outro.

De acordo com o raciocínio dela, o grande problema está nas expectativas que criamos em relação ao parceiro, ao casamento e a vida a dois.

Voltando ao passado, no século XVIII havia o hábito de amas de leite serem usadas por famílias aristocratas e sabem o porque? A sociedade não via ‘serventia’ para crianças pequenas e as mães não queriam amamentar para não perderem o corpo bonito, atitude essa totalmente apoiada pela sociedade que dizia que amamentar não era nobre, sendo assim, despachavam os bebês logo após o nascimento, para morarem com as amas de leite, que geralmente eram mulheres pobres, que trabalhavam o dia toda na lavoura e moravam em casas totalmente sem infraestrutura. Uma ama de leite atendia a muitas crianças de uma só vez.

As crianças permaneciam morando com a ama até 4 ou 5 anos, sem receber uma visita sequer dos pais. #Choquei O índice de morte infantil era enorme, por conta da falta de higiene e infraestrutura nas casas das amas. Isso levou algum tempo para mudar e tudo começou pelas mulheres da burguesia, que decidiram amamentar seus filhos.

A maior expectativa que ainda hoje se tem em relação a mulher é que seja mãe. Por ser capaz de ter filhos, supõe-se que naturalmente, deseje tê-los. Olha-se com piedade paras as que não querem tê-los, considerando-as até portadoras de um grave problema mental.

Tá aí uma coisa que eu reclamo e muitas amigas da minha idade, também. Isso precisa acabar, esse negócio de ‘tem que ter filhos’. Oh coisa chata! As pessoas precisam entender que ter filhos ou não, é uma decisão muito séria e que cada mulher tem o direito de escolha. Nem todas querem…

A maioria ainda acredita que só é possível encontrar a realização afetiva numa relação amorosa com alguém. A propaganda a favor é tão poderosa que a busca da ‘outra metade’ se torna incessante e muitas vezes desesperada.

São muitos os assuntos abordados neste livro e claro, todos muitos discutíveis, cada um tem sua opinião. Gostei bastante do livro, tem muitas informações interessantes e possibilita avaliar coisas que até então eram rotina, de um outro aspecto. É como se você desligasse o automático e parasse para avaliar todas as possibilidades existentes, não apenas aquela que você sempre viu como única.

O mais interessante é que lendo sobre os comportamentos e crenças do passado, consigo entender o porque do comportamento de pessoas mais velhas, assim como muitas das crenças enraizadas na minha geração, mas que não combinam mais com os tempos modernos.

E antes de dizer ‘eu não concordo‘ ou ‘tudo isso é uma besteira‘, abra sua mente, permita-se conhecer outras opiniões e outras formas de pensar. A partir do conhecimento é que você pode formar uma opinião realmente fundamentada. Este é um livro para quem tem curiosidade ou interesse em saber mais sobre a história da humanidade, sobre o desenrolar da relação amorosa desde os tempos das cavernas.

O saber, ah o saber! Eu sou curiosa e adoro saber, não importa o que, não importa a minha opinião, eu gosto de informação.

Vale a pena a leitura, eu recomendo!

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Commentários do Facebook

comentários.

38 Comentários

  1. Juliana Mara disse:

    não gosto muito de livros no estilo alta ajuda, mas esse parece ser bacana.

  2. Greice Flores disse:

    Gostei do livro ele parece ser bem interessante e concordo cm essa historia q tem mulheres q não querem ter filhos eu por exemplo não quero e axo super normal e cada um é cada um

  3. Janaína Santos disse:

    Adorei conhecer esse livro, vou pedir para o meu pai achar um pra mim ler, já que ele tem um sebo e sempre tem livros bons por lá!!!
    Bjs

  4. angelica pinheiro disse:

    Nossa, que resenha interessante! Eu amo ler, e qualquer é assunto é assunto pra ler *_*
    Tem muito informação bacana mesmo, amo conhecer como funcionavam as coisas no passado. E tbm fiquei em choque com as amas de leite. #comoassim?

    Quanto pagou nele?

  5. Luana Luz disse:

    Vou confessar que não tenho muita paciência pra ler esse tipo de livro. Mas gostei do assunto. E achei bem engraçada essa parte em que ela nos dá ainfoemação de que antes os homens achavam que não tinham participação na procriação… hahahah
    Muito interessante!
    Beijos

  6. Ana Vantini disse:

    Gostei da sua descrição, parece ser um livro bem gostoso de ler.

  7. elainerodrigues12 disse:

    eu nunca li livro de auto ajuda acredita? mas parece bem interessante .bjs

  8. Claudia Malta disse:

    Amo esse estilo de post….
    Gostei do livro, ainda nao ainda nao sei
    Acho importante livros que expressem opiniões contrárias do “normal” como vc falou cada um tem seu direito de escolha..
    Informação nunca é demais
    Mudei de livro, estou lendo agora Sussurro, não faz o estilo de livro que gosto (ainda), mas quem sabe ate o fim da serie eu ame todos hehehehe

  9. angelica pinheiro disse:

    Aliás, a capa por sí só já é um luxo, já me ganha por isso!
    Eu sempre compro livros por causa da capa, é mto difícil eu ler a resenha atrás. haha

  10. Danielle disse:

    Eu vi mesmo ela participando do programa. Algumas coisas eu n concordava…
    Parece interessante o livro. Fiquei curiosa para ler.
    Bjs

  11. Ariane Lima disse:

    Não curto muito esse tipo de livro. :/

  12. Eva Kely disse:

    Ainda ñ li, mas já está na minha lista de futuros livros para a leitura. Bjo

  13. Solange Moreira disse:

    Hummmm, o livro é daqueles que falam né…falam o que muita gente deveria ouvir mas prefere tapar os ouvidos porque o conveniente é o mais adequedo e mais correto. Eu gosto de livros assim, que nos intigam a questionar nossos comportamentos e atitudes. E isso não é só sobre vida amorosa, é sobre um tudo.
    Gostei :)

  14. FERNANDA disse:

    adoro ler e fico super feliz quando indicam livros!! valeu bjks

  15. Kassiani disse:

    Adorei sua descrição do livro, fiquei com vontade de ler. A temática parece bem interessante e instrutiva.
    É muito complicado como as coisa vão se desenrolando e as pessoas continuam pegadas as mesmas crenças que seus pais ou avós tinham, muitas vezes as pessoas não se permitem para e analisar se aquele conceito ainda é vantajoso para ela na atual situação de vivencia. Eu tenho uma filha e o que mais escuto é “quando vem o outro” e ainda tem gente que fica chocada quando eu respondo “uma já tá de bom tamanho, que mais tenha você”. Cada um com seus direitos.

  16. Ana Watte disse:

    Fiquei curiosa agora..
    Vou procurar pra comprar :)

  17. LiliCruz disse:

    Gostei mais ainda do resumo q nos passou, pois para quem escolhe leitura ja se sabe o q se passa no conteudeo deste.

  18. Michelle disse:

    Oi, querida!
    Então, que legal que vc gostou desse livro e fez uma bonita resenha sobre ele. Pois é, não li esse livro, porém li um outro livro da Regina Navarro Lins de nome: “O livro do Amor” em dois volumes e é tão maravilhoso quanto esse. A Regina é uma escritora e psicanalista, e, seus livros tem base em pesquisas científicas e em sua clínica, ou seja, em hipótese alguma trata-se de livro de “auto-ajuda”. Vale ler os livros dela por se tratarem e muito do mundo feminino, nós mulheres. Sou uma dessa mulheres que decidiu desde muito cedo por não ter filhos e posso dizer que na minha família isso não foi problema, mas algumas amigas… se esforçaram para me aceitar. Os amigos me aceitaram imediatamente, isso tb não quer dizer que todos os homens na face da terra terão o mesmo comportamento. Alô! A experiência me ensinou que ainda temos muito o que caminhar.
    Bjs
    Michelle

  19. Claudia disse:

    Parabéns! Adorei sua descrição. Com certeza vou ler esse livro. Adooorei!!! Adoro ver o lado histórico das coisas.

  20. Jacquelina disse:

    Nunca lii nãoo.. mas gosteii dele.. boa dicaa!

  21. Nayara disse:

    Tenho um pouco de preguiça de ler rs, mas parece que esse livro prende bastante atenção e pra eu deixar a preguiça de lado, só assim! Achei bastante interessante Carol e confesso que fiquei bem curiosa rs Beijos

  22. Rosiléa disse:

    Li esse livro na época e adorei. Com a sua resenha fiquei com vontade de ler de novo, principalmente esse novo capítulo. Bjs!!!!!

  23. Débora Costa disse:

    Ain, estou louca pra ler esse livro!

  24. Jaqueline disse:

    Nossaaaa gostei demais da sua resenha sobre o livro, vou providencia-lo para logo…
    Eu sou uma pessoa que escolheu não ter filhos e não me casar, vivo em um mundo ao qual posso hoje em dia fazer essa escolha, existindo a possibilidade de “namoros adultos” (como diz minha avó) pra que se casar? Ter filhos é algo que sei que muitas mulheres sonham, mas não eu, não me vejo sendo feliz abrindo mão de tudo na minha vida para cuidar de um filho que na adolescência provavelmente vai te virar as costa (entre outros motivos, claro), mas o fato de eu não planejar me casar ou ter filhos ainda não é muito bem aceito pelos meus familiares ou amigos, as pessoas não se acostumam com a ideia de que existem outras pessoas que não tem os mesmo planos e projetos da maioria

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